A nova modalidade permite a participação de organizações da sociedade civil, cooperativas e associações de catadores, fundações e instituições sem fins lucrativos. Segundo a Agência Brasil, os projetos devem estar amparados pela Lei de Incentivo à Reciclagem e previamente aprovados pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Essa aprovação é requisito para concorrer, não garantia de receber recursos do banco.
Da infraestrutura ao material reaproveitado
Entre as prioridades da seleção estão ampliar a infraestrutura de reciclagem, fortalecer a coleta seletiva e promover a inclusão de trabalhadores em atividades geradoras de renda. Também poderão receber apoio ações de educação ambiental e inovação. A economia circular, incluída no edital, busca manter materiais em uso por meio do reaproveitamento, em vez de descartá-los após o consumo.
O mecanismo econômico central está na capacidade de transformar resíduos em materiais aproveitáveis. A coleta precisa chegar ao local de separação, e o material separado precisa encontrar utilização. Se o apoio ampliar a capacidade de coletar e preparar resíduos para reaproveitamento, poderá favorecer a geração de renda na cadeia. O efeito depende de os projetos converterem os recursos em operação efetiva.
Para cooperativas e associações de catadores, o apoio pode viabilizar melhorias que não seriam realizadas apenas com os recursos disponíveis. Mas infraestrutura, isoladamente, não assegura renda: é necessário que o material recuperado tenha destinação e demanda. Essa ligação entre capacidade operacional e aproveitamento dos resíduos é o que pode dar sustentação econômica à proposta ambiental.
O histórico não é o orçamento da nova seleção
Criado em 2012, o Mãos Dadas reúne recursos do BB e de entidades ligadas ao banco. Desde o início, foram destinados mais de R$ 300 milhões. Em 2025, 31 entidades receberam R$ 22 milhões. Esses valores descrevem o histórico do programa, não o montante disponível no edital de 2026.
Segundo o banco, os projetos apoiados em 2025 tiveram impacto social positivo estimado em 81 mil pessoas, em 26 municípios. A estimativa se refere àquela edição e não mede resultados da nova frente de reciclagem. O programa também mantém o apoio a projetos sociais e de saúde.
A inclusão da reciclagem amplia as atividades elegíveis ao financiamento. Seu resultado econômico dependerá de uma passagem concreta: transformar apoio financeiro em capacidade de recuperação de resíduos que encontre uso e gere renda. É nessa conexão, e não apenas no volume destinado, que a nova modalidade poderá demonstrar seu valor.
📊 Número do Dia
R$ 22 milhões : Valor total recebido por 31 entidades apoiadas pelo Programa Mãos Dadas em 2025.
Por que isso importa
O apoio pode ampliar a capacidade de cooperativas e outras organizações de recuperar resíduos. A geração de renda dependerá da execução dos projetos e da demanda pelos materiais reaproveitados.
Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-10/bb-recebe-ate-31-de-outubro-inscricoes-para-projetos-de-impacto-social
