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domingo, 18 de outubro de 2026 Brasil

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Direito na USP: aprender IA sem terceirizar o raciocínio

A Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) criou uma comissão para discutir o ensino diante do avanço da inteligência artificial (IA). A iniciativa foi relatada pelo advogado Ronaldo Lemos em coluna publicada na Folha de S.Paulo em 18 de outubro de 2026.

Direito da USP criou comissão para discutir o ensino com IA. O ganho de produtividade depende de preservar o raciocínio e a capacidade de avaliar resultados.

Lemos relata ter feito a apresentação de abertura da série de seminários organizada pela comissão. A iniciativa coloca uma questão econômica dentro da sala de aula: como aproveitar uma ferramenta que pode acelerar o trabalho sem enfraquecer a formação de quem precisará avaliar seus resultados? O fato documentado na USP é a criação desse espaço de discussão, não a adoção de um novo currículo.

Rapidez não substitui capacidade de julgamento

Na formação jurídica, o ganho potencial da IA depende de uma competência anterior: compreender argumentos, identificar problemas e sustentar conclusões. Se o estudante delega essas tarefas antes de aprendê-las, pode entregar um trabalho sem adquirir a habilidade que aquela atividade deveria desenvolver. O produto aparece; o aprendizado pode não acompanhar.

Essa diferença importa para a produtividade, isto é, a capacidade de produzir mais ou melhor com os recursos disponíveis. Gerar um texto mais depressa não equivale, por si só, a prestar um serviço jurídico melhor. Se o profissional não consegue conferir o conteúdo produzido, a economia de tempo pode ser consumida por revisão e correções. Se domina o assunto e usa a ferramenta como apoio, há espaço para ampliar sua capacidade de trabalho.

Aprender com a ferramenta e também sem ela

A tensão aparece em uma pesquisa com estudantes de direito nos Estados Unidos, realizada em abril de 2026 e citada por Lemos: 72% consideram essencial saber usar IA, enquanto 74% temem que depender dela prejudique sua formação. Os percentuais descrevem percepções naquele grupo, não resultados de aprendizagem nem a situação dos estudantes brasileiros.

Como resposta, o colunista defende três frentes: pensar com, sem e sobre a IA. Ele relata que a Escola de Direito da Universidade de Chicago proibiu a ferramenta nas disciplinas centrais do primeiro ano e passou a exigir defesa oral presencial dos trabalhos. São exemplos de desenho do ensino, não medidas anunciadas pela USP.

Para estudantes e futuros contratantes de serviços jurídicos, o ponto decisivo é a qualidade da competência adquirida. Se a formação combinar domínio tecnológico com capacidade independente de análise, a IA poderá ampliar o trabalho do advogado. Se substituir o exercício de raciocinar, a velocidade de produção poderá esconder uma qualificação mais frágil.

📊 Número do Dia

74% : Dos estudantes de direito consultados em pesquisa nos Estados Unidos, realizada em abril de 2026 e citada por Ronaldo Lemos, temem que depender da IA prejudique sua formação.

Por que isso importa

O ganho de produtividade com IA depende de profissionais capazes de avaliar o que a ferramenta produz. Na formação jurídica, acelerar entregas sem desenvolver essa capacidade pode comprometer a qualidade do serviço futuro.


Fonte original: https://redir.folha.com.br/redir/online/mercado/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ronaldolemos/2026/10/como-formar-advogados-sem-emburrecer-com-a-ia.shtml