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domingo, 18 de outubro de 2026 Brasil

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Aposentadoria: receber dividendos não é o mesmo que enriquecer

Em coluna publicada na Folha de S.Paulo em 16 de outubro de 2026, o planejador patrimonial Michael Viriato questiona a busca por investimentos que distribuem renda muito antes da aposentadoria. Seu argumento é que receber dinheiro periodicamente não equivale, por si só, a acumular mais patrimônio.

Coluna de Michael Viriato na Folha explica por que dividendos não equivalem a maior retorno e como custos e prazos afetam o patrimônio para a aposentadoria.

A discussão parte de uma situação hipotética: uma pessoa de 50 anos, com planos de se aposentar aos 65, começa a procurar ações que pagam dividendos, fundos imobiliários com rendimentos mensais e títulos que distribuem juros periódicos, chamados cupons. Para Viriato, se ela ainda recebe salário e reinveste todos esses pagamentos, o formato do recebimento pode desviar a atenção do resultado econômico.

O dinheiro recebido é só parte do retorno

O conceito central é o retorno total: a soma dos valores distribuídos com a valorização ou desvalorização do investimento. Na avaliação da acumulação de patrimônio, custos e impostos também entram na conta, assim como o risco assumido. Um pagamento recorrente, isoladamente, não informa quanto o investidor ganhou.

A coluna apresenta dois investimentos hipotéticos de R$ 100 mil. Em um ano, o primeiro distribui R$ 8 mil e termina valendo R$ 102 mil. O segundo não distribui nada e chega a R$ 110 mil. Desconsiderando impostos, ambos geram R$ 10 mil de retorno. A diferença está no caminho percorrido pelo dinheiro, não no ganho total desse exemplo.

Isso não demonstra que os dois investimentos tenham riscos equivalentes, nem que ativos sem distribuições sejam superiores. A comparação apenas separa o fluxo recebido do resultado patrimonial. Ações de dividendos, fundos imobiliários e títulos com cupons não são classificados pelo autor como investimentos ruins; a crítica recai sobre escolhê-los principalmente pelo pagamento de uma renda ainda desnecessária.

Antecipar renda pode acrescentar custos

Se o dinheiro distribuído volta integralmente às aplicações, surge uma etapa de reinvestimento. Dependendo do ativo, o recebimento pode antecipar impostos e a reaplicação pode gerar custos de transação. Nesse caso, a distribuição não representa apenas conveniência: pode reduzir o valor que permanece acumulando. A coluna não quantifica esse efeito para produtos específicos.

O horizonte de uso também importa. Viriato observa que empresas, fundos e taxas de juros podem mudar, de modo que bons geradores de renda hoje não necessariamente terão a mesma adequação no futuro. Mesmo na aposentadoria, despesas próximas e necessidades de décadas seguintes têm prazos diferentes.

A tensão, portanto, não está entre receber dividendos ou rejeitá-los. Está entre a data em que o investimento paga e aquela em que seu titular precisa gastar. Se a renda ainda será reinvestida, seu benefício econômico depende do retorno total, dos custos e do risco, não apenas da frequência dos depósitos.

📊 Número do Dia

R$ 10 mil : Retorno em um ano de cada investimento hipotético de R$ 100 mil apresentado na coluna, desconsiderando impostos, com e sem distribuição de renda.

Por que isso importa

Para quem acumula patrimônio para a aposentadoria, pagamentos frequentes não demonstram, sozinhos, um resultado melhor. Se os recursos forem reinvestidos, impostos e custos podem alterar quanto efetivamente permanece aplicado.


Fonte original: https://redir.folha.com.br/redir/online/mercado/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/blogs/de-grao-em-grao/2026/10/por-que-voce-nao-deveria-montar-sua-carteira-de-aposentadoria-antes-de-se-aposentar.shtml