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quinta-feira, 8 de outubro de 2026 Brasil

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Petróleo mais barato corta previsão de superávit em 2026

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços revisou para baixo a previsão do superávit comercial brasileiro de 2026, de US$ 90 bilhões para US$ 84,4 bilhões, atribuindo a mudança principalmente à queda nos preços do petróleo, segundo informações divulgadas pela Agência Brasil em 6 de outubro de 2026.

MDIC cortou a projeção do superávit comercial de 2026 de US$ 90 bi para US$ 84,4 bi, citando queda do petróleo. Entenda o que muda na balança brasileira.

O número ainda é grande. Mesmo depois do corte, o saldo projetado para 2026 representa alta de 24% sobre o superávit de 2025, que foi de US$ 68,1 bilhões. Se confirmado, seria o segundo maior resultado da série histórica, atrás apenas de 2023, quando o saldo chegou a US$ 98,9 bilhões. O que mudou não foi a direção, foi a intensidade.

O que o MDIC alterou nas contas

A revisão atinge os dois lados da balança. As exportações previstas caíram de US$ 394,4 bilhões para US$ 382,5 bilhões, uma redução de US$ 11,9 bilhões. As importações passaram de US$ 304,4 bilhões para US$ 298,1 bilhões, recuo de US$ 6,3 bilhões. Como a queda do lado das vendas é quase o dobro da queda do lado das compras, o saldo encolhe. Mesmo assim, as exportações projetadas crescem 9,8% sobre 2025 e as importações, 6,4%.

Esta é a segunda revisão do ano. A previsão inicial era de US$ 72,1 bilhões, elevada para US$ 90 bilhões em julho e agora ajustada para US$ 84,4 bilhões.

Por que o petróleo mexe nos dois lados

O Brasil vende petróleo bruto e compra derivados. Isso significa que uma oscilação de preço internacional atravessa simultaneamente a coluna das exportações e a das importações. Segundo o material, o barril chegou a US$ 138 em abril, depois da entrada dos Estados Unidos na guerra com o Irã, e recuou em seguida. Mesmo com alta nas últimas semanas, o Brent gira em torno de US$ 100.

Aqui cabe uma distinção que costuma se perder nas manchetes: o valor exportado é o produto de preço por quantidade. Quando o preço cai, o valor em dólares diminui sem que uma única barrica a menos tenha deixado o país. É exatamente o que os dados de setembro sugerem na direção oposta: naquele mês, os preços médios das mercadorias exportadas subiram 9,9% enquanto o volume embarcado avançou apenas 2,3%. O petróleo bruto exportado somou US$ 6,49 bilhões, alta de 77,3% sobre setembro de 2025.

Superávit grande não é sinônimo de economia forte

Um saldo comercial elevado pode ter origens muito diferentes. Pode vir de ganho de competitividade e de abertura de mercados, o cenário desejável. Pode vir também de preços internacionais favoráveis a commodities, situação que não depende de nenhuma decisão tomada no Brasil. E pode vir de importações fracas, o que normalmente indica demanda interna e investimento em desaceleração. Em setembro, as importações caíram 2,4% na comparação anual, enquanto as exportações subiram 12,9%.

A dependência de preço de commodity tem uma consequência prática: o superávit vira uma variável volátil. A própria sequência de revisões do MDIC neste ano ilustra o ponto. Em menos de doze meses, a projeção oficial oscilou de US$ 72,1 bilhões para US$ 90 bilhões e depois para US$ 84,4 bilhões.

Para fechar a conta, o país precisa acumular cerca de US$ 22 bilhões de saldo entre outubro e dezembro, valor próximo aos US$ 21,8 bilhões do último trimestre de 2025. Herlon Brandão, do MDIC, afirmou que o cenário para o fechamento do ano já está bastante consolidado.

📊 Número do Dia

US$ 84,4 bilhões — Nova projeção do MDIC para o superávit comercial brasileiro em 2026, ante US$ 90 bilhões estimados anteriormente e US$ 68,1 bilhões registrados em 2025.

Por que isso importa

O superávit comercial é uma das principais fontes de dólares da economia brasileira e influencia a oferta de moeda estrangeira no país. Quando esse saldo depende fortemente do preço internacional do petróleo, ele se torna uma variável fora do controle da política econômica doméstica. A sequência de três projeções diferentes do MDIC em um único ano mostra o tamanho dessa incerteza.


Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-10/previsao-de-superavit-comercial-de-2026-cai-para-us-844-bilhoes