A Coinbase admitiu que errou ao tentar transformar a Base em uma rede social descentralizada. Jesse Pollak, executivo da Coinbase responsável pela Base (uma rede de segunda camada do Ethereum, ou seja, uma infraestrutura construída sobre o Ethereum para processar transações mais rápidas e baratas), declarou que a aposta em aplicativos sociais na blockchain foi “definitivamente errada”, segundo reportagem publicada pela The Defiant em 16 de julho de 2026. A Base é atualmente a maior Layer 2 do Ethereum em volume de transações, funcionando como uma espécie de “via expressa” construída ao lado da rodovia principal do Ethereum.
Pollak anunciou que está entregando o controle do aplicativo Base para Cobie, um influenciador e investidor conhecido no mercado cripto. A mudança de comando simboliza uma guinada estratégica completa: a rede vai abandonar o foco em redes sociais descentralizadas (aplicativos que funcionam sem uma empresa central controlando os dados, como acontece com Facebook ou Twitter) e concentrar esforços em três frentes: trading de criptomoedas, sistemas de pagamento e agentes de inteligência artificial que operam na blockchain. Segundo a The Defiant, a decisão reflete a dificuldade de criar aplicativos sociais que consigam competir com plataformas tradicionais em experiência de usuário.
Para contextualizar o tamanho da Base no ecossistema cripto global, a rede processa diariamente mais transações do que a própria rede principal do Ethereum, segundo dados públicos de plataformas de análise blockchain. A mudança de estratégia pode impactar investidores brasileiros que acessam a Base através de exchanges locais ou carteiras digitais compatíveis com Ethereum. Embora a Base não tenha um token próprio negociado na B3 (diferentemente de ETFs como ETHE11, que replica o Ethereum), brasileiros que usam aplicativos descentralizados na rede podem notar uma mudança no tipo de serviço disponível: menos experimentos sociais, mais ferramentas financeiras.
A admissão pública de fracasso por parte de uma gigante como a Coinbase é rara no setor cripto, onde projetos costumam pivotar silenciosamente ou abandonar iniciativas sem reconhecimento explícito. A transparência de Pollak contrasta com o padrão do mercado e pode sinalizar uma maturidade maior da indústria. Historicamente, redes de segunda camada que conseguiram escala tenderam a se especializar: Polygon focou em games e NFTs, Arbitrum em finanças descentralizadas (DeFi, ou “bancos digitais sem banco no meio”), e agora a Base aposta em trading e pagamentos, áreas onde a Coinbase já tem expertise consolidada no mercado tradicional de exchanges.
📊 Número do Dia
Maior Layer 2 , A Base é a maior rede de segunda camada do Ethereum em volume de transações, processando mais operações diárias do que a própria blockchain principal do Ethereum
Por que isso importa
A mudança de rumo da Base ilustra um aprendizado caro para o setor: construir redes sociais descentralizadas que competem com gigantes como Meta e Twitter permanece um desafio não resolvido, mesmo para players com recursos da Coinbase. Para investidores brasileiros, a concentração em trading e pagamentos pode trazer ferramentas mais práticas e menos experimentais, alinhando a Base com necessidades reais de quem usa cripto para transferências internacionais ou operações financeiras. A admissão pública de erro também estabelece um precedente de transparência que pode pressionar outros projetos a serem mais honestos sobre suas limitações.
Fonte original: https://thedefiant.io/news/people/base-creator-jesse-pollak-hands-app-to-cobie-says-social-bet-was-definitively-wrong


