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Japão aprova lei que regula cripto como ações

Japão aprova lei que regula criptomoedas como ações, com redução de impostos e vigência em 2027. Entenda o impacto para o mercado brasileiro.
O parlamento do Japão aprovou nesta quarta-feira (11) um projeto de lei que regula criptomoedas de forma semelhante às ações negociadas em bolsa, segundo reportou a CoinDesk. As novas regras, que devem entrar em vigor em 2027, incluem redução de impostos e visam estimular a inovação e o crescimento do mercado de ativos digitais no país.

O Japão acaba de dar um dos passos regulatórios mais ambiciosos do mundo cripto. Segundo a CoinDesk, o parlamento japonês aprovou em 11 de junho de 2026 uma lei abrangente que equipara criptomoedas (ativos digitais como Bitcoin e Ethereum) ao mercado de ações tradicional. A medida inclui redução de impostos sobre ganhos de capital em cripto e cria um arcabouço regulatório semelhante ao que já existe para a bolsa de valores. O objetivo declarado é fomentar a inovação e atender à demanda interna e externa por serviços de ativos digitais.

A nova legislação entra em vigor apenas em 2027, dando tempo para empresas e investidores se adaptarem. Até agora, o Japão tratava criptomoedas como uma categoria à parte, com tributação mais pesada e regras fragmentadas. A título de comparação, no Brasil, a Receita Federal tributa ganhos com cripto como ganho de capital (alíquota de 15% a 22,5%, dependendo do valor), mas ainda não há uma regulação específica da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) equiparando cripto a valores mobiliários. A reforma japonesa vai além: ao tratar cripto como ações, o país sinaliza que considera esses ativos parte do sistema financeiro tradicional, não uma categoria exótica.

Para contextualizar, o Japão já é um dos mercados cripto mais maduros da Ásia, com exchanges (plataformas de compra e venda de criptomoedas) reguladas desde 2017. A nova lei busca atrair empresas globais de blockchain (tecnologia de registro distribuído que funciona como um cartório digital aberto a todos) e competir com centros como Singapura e Hong Kong. Historicamente, países que reduzem impostos sobre cripto tendem a ver aumento no volume de negociação e na instalação de startups do setor, conforme dados públicos de mercado.

No Brasil, o debate regulatório caminha em direção diferente. O Banco Central desenvolve o Drex (moeda digital do Banco Central, uma espécie de real digital oficial), mas ainda não há sinalização de que criptomoedas privadas serão tratadas como valores mobiliários pela CVM. Investidores brasileiros que compram Bitcoin ou Ethereum pela B3 (via ETFs como HASH11 ou QBTC11, fundos que replicam o preço das criptomoedas) seguem sujeitos às regras de fundos de investimento, não de ações. A experiência japonesa pode servir de referência para futuras discussões no Congresso Nacional.

📊 Número do Dia

2027 , Ano em que as novas regras japonesas entram em vigor, equiparando cripto a ações e reduzindo impostos sobre ganhos de capital em ativos digitais.

Por que isso importa

A decisão japonesa pode influenciar outros países, incluindo o Brasil, a repensar como regulam e tributam criptomoedas. Para o investidor brasileiro, a experiência do Japão mostra que é possível integrar cripto ao sistema financeiro tradicional sem sufocar o mercado. Se o modelo funcionar, pode pressionar a CVM e o Congresso a avançar em regulação mais clara, o que traria segurança jurídica e potencialmente reduziria custos para quem investe em ativos digitais por aqui.


Fonte original: https://www.coindesk.com/policy/2026/06/11/japan-passes-sweeping-bill-regulating-crypto-like-stocks-with-lower-taxes-to-drive-growth

Foto de Roberta Silva

Roberta Silva

Jornalista econômica especializada em política monetária e macroeconomia brasileira. Acompanha as decisões do Banco Central, os números do IPCA e os impactos da Selic. Responsável pelas seções Economia e Política Econômica.
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