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DeFi quase entrou em colapso sistêmico, diz CEO da Ether.fi

CEO da Ether.fi revela que exploração no protocolo Kelp quase causou colapso sistêmico no DeFi. Entenda os riscos para o investidor brasileiro.
O setor de DeFi (finanças descentralizadas, ou bancos digitais sem banco no meio) esteve à beira de um colapso sistêmico após uma exploração de segurança no protocolo Kelp, conforme revelou Mike Silagadze, cofundador e CEO da Ether.fi, em entrevista publicada pela The Defiant em 10 de junho de 2026.

O episódio conhecido como “exploração Kelp” quase provocou um efeito dominó capaz de derrubar múltiplos protocolos DeFi interconectados, segundo Mike Silagadze, CEO da Ether.fi, em entrevista à jornalista Camila Russo. A Ether.fi é uma plataforma de staking líquido (modalidade que permite aos usuários emprestar suas criptomoedas para validar transações na rede Ethereum e receber remuneração por isso, mantendo liquidez). Silagadze descreveu o incidente como um “momento de quase morte” para o setor de finanças descentralizadas.

Segundo a entrevista publicada pela The Defiant, a gravidade da situação levou à formação de uma iniciativa de resgate chamada “DeFi United”, que reuniu diversos protocolos para conter o risco de contágio. O CEO argumentou que, sem essa intervenção coordenada, o cenário padrão teria sido “muito pior”. A exploração no protocolo Kelp (uma plataforma de restaking, ou seja, que permite usar ativos já emprestados como garantia para outras operações) expôs a fragilidade das interconexões no ecossistema DeFi, onde um problema em um protocolo pode rapidamente se espalhar para outros, de forma similar ao que ocorreu no sistema financeiro tradicional durante a crise de 2008.

Para o investidor brasileiro, o episódio serve como alerta sobre os riscos específicos do universo DeFi, que operam fora do guarda-chuva regulatório da CVM ou do Banco Central. Diferentemente de aplicações financeiras tradicionais no Brasil, que contam com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para proteger até R$ 250 mil por CPF em caso de quebra de instituição, os protocolos DeFi não oferecem garantias formais. A título de comparação, quando uma corretora de valores brasileira enfrenta problemas, existe um arcabouço regulatório e mecanismos de proteção ao investidor; no DeFi, a segurança depende inteiramente da qualidade do código e da governança descentralizada de cada protocolo.

Conforme relatado por Silagadze à The Defiant, o incidente também levantou questões sobre segurança e auditoria de contratos inteligentes (programas que executam operações financeiras automaticamente quando certas condições são atendidas). O CEO da Ether.fi defendeu que o setor precisa amadurecer seus padrões de segurança para evitar novos episódios de risco sistêmico. Historicamente, explorações em protocolos DeFi já resultaram em perdas superiores a US$ 10 bilhões desde 2020, segundo dados públicos da plataforma DeFi Llama.

📊 Número do Dia

US$ 10 bilhões , Valor acumulado de perdas em explorações de protocolos DeFi desde 2020, segundo dados públicos da DeFi Llama, contextualizando a gravidade do risco sistêmico mencionado por Silagadze.

Por que isso importa

O episódio expõe a vulnerabilidade estrutural do ecossistema DeFi e reforça a necessidade de o investidor brasileiro compreender que esses protocolos operam sem as proteções regulatórias disponíveis no sistema financeiro tradicional. Para quem investe em criptomoedas no Brasil, seja diretamente ou via ETFs como HASH11 e ETHE11 na B3, entender os riscos de contágio entre protocolos interconectados é essencial para avaliar a exposição real do portfólio. A formação do “DeFi United” sugere que o setor começa a reconhecer a necessidade de mecanismos coletivos de proteção, mas ainda sem o arcabouço formal que existe em mercados regulados.


Fonte original: https://thedefiant.io/podcasts-and-videos/podcast/defi-s-near-death-moment-or-mike-silagadze-on-ether-fi-security-and-what-comes-next

Foto de Roberta Silva

Roberta Silva

Jornalista econômica especializada em política monetária e macroeconomia brasileira. Acompanha as decisões do Banco Central, os números do IPCA e os impactos da Selic. Responsável pelas seções Economia e Política Econômica.
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