A MiCA (Markets in Crypto-Assets), lei europeia que entrou em vigor em 2024 para regular criptomoedas, pode ganhar uma segunda versão focada em tokenização, não em DeFi. Segundo a Cointelegraph, um dos arquitetos originais da legislação declarou que não vê necessidade de regular DeFi (bancos digitais sem banco no meio, onde pessoas emprestam, investem e negociam diretamente entre si, sem intermediários) no curto prazo. A prioridade, segundo ele, deveria ser a tokenização de ativos tradicionais.
Tokenização é o processo de transformar ativos do mundo real (como imóveis, ações ou títulos de dívida) em tokens digitais que podem ser negociados em blockchain (um registro público que qualquer pessoa pode auditar, como um cartório aberto a todos). A ideia é que a Europa avance primeiro na regulação desse mercado, que envolve instituições financeiras tradicionais, antes de tentar enquadrar protocolos descentralizados. Para contextualizar, a tokenização é vista como uma ponte entre o sistema financeiro tradicional e o universo cripto, enquanto DeFi representa uma ruptura mais radical com o modelo bancário convencional.
A declaração ocorre em momento estratégico: a Comissão Europeia está coletando feedback sobre o futuro da MiCA, processo que pode resultar em uma MiCA 2.0. A posição do arquiteto da lei sugere que a Europa pode adotar uma abordagem gradual, regulando primeiro o que é mais próximo do sistema tradicional. Segundo conhecimento de mercado, essa estratégia contrasta com a dos Estados Unidos, onde o debate sobre DeFi e stablecoins (moedas digitais que valem sempre o mesmo, mesmo quando o resto do mercado balança) tem avançado de forma mais acelerada no Congresso.
Para o investidor brasileiro, a discussão europeia tem impacto indireto mas relevante. A MiCA é frequentemente citada como referência por reguladores brasileiros, incluindo o Banco Central (que desenvolve o Drex, o real digital) e a CVM (que regula os ETFs de cripto na B3, como HASH11 e QBTC11). Caso a Europa priorize tokenização, é provável que o Brasil siga caminho semelhante, dado que o Banco Central já sinalizou interesse em regular ativos tokenizados antes de enfrentar o desafio maior de enquadrar protocolos descentralizados. A título de comparação, regular tokenização é como criar regras para um mercado de ações digital; regular DeFi é como tentar fiscalizar uma feira livre sem dono nem endereço fixo.
📊 Número do Dia
MiCA 2.0 , Possível segunda versão da lei europeia de cripto, com foco em tokenização de ativos tradicionais em vez de regular DeFi no curto prazo.
Por que isso importa
A escolha da Europa entre regular tokenização ou DeFi primeiro define o ritmo de adoção institucional de blockchain no Ocidente. Para o Brasil, que frequentemente espelha a abordagem europeia, isso pode significar que a regulação de ativos tokenizados (imóveis, títulos, ações em blockchain) avançará antes de qualquer tentativa de enquadrar protocolos descentralizados. Investidores brasileiros em ETFs cripto e empresas que planejam tokenizar ativos devem acompanhar o debate europeu de perto, pois ele sinaliza o caminho provável da CVM e do Banco Central nos próximos anos.













