A previsão de que Wall Street funcionará totalmente em blockchain até 2030 parte de Edwin Mata, CEO da Brickken, empresa especializada em tokenização de ativos. Segundo a CoinDesk, Mata defende que a infraestrutura financeira tradicional será substituída por registros em blockchain (uma espécie de livro-razão digital público e imutável, onde todas as transações ficam registradas de forma transparente e verificável por qualquer pessoa). Para contextualizar, isso significaria que ações, títulos e outros ativos financeiros seriam representados por tokens digitais, negociados e liquidados instantaneamente, sem intermediários como corretoras tradicionais.
A tokenização de ativos é o processo de transformar direitos sobre bens reais (como ações, imóveis ou títulos de dívida) em tokens digitais que circulam em blockchain. Historicamente, esse movimento já começou em escala menor: no Brasil, a B3 e o Banco Central estudam a tokenização de títulos públicos e privados no contexto do Drex (a futura moeda digital do Banco Central). A título de comparação, a tokenização seria como transformar uma escritura de imóvel em um arquivo digital que pode ser comprado, vendido e fracionado instantaneamente pela internet, sem cartório nem banco no meio.
Segundo Mata, conforme reportou a CoinDesk, as regulações da União Europeia estão travando o crescimento de startups locais de blockchain, enquanto os Estados Unidos e ferramentas automatizadas de inteligência artificial avançam no setor. Ele não detalhou quais regulações específicas, mas o contexto europeu inclui o MiCA (Markets in Crypto-Assets), marco regulatório que entrou em vigor em 2023 e impõe regras rígidas para emissores de criptoativos. Para o investidor brasileiro, isso importa porque o Brasil tem seguido um caminho regulatório mais próximo do modelo europeu, com a Lei 14.478/2022 (que regula exchanges e prestadores de serviços cripto) e a supervisão da CVM sobre ofertas públicas de tokens.
A visão de Mata coloca a automação e a inteligência artificial como protagonistas da transformação financeira. Segundo ele, ferramentas de IA serão responsáveis por executar contratos inteligentes (programas que rodam automaticamente quando condições pré-definidas são cumpridas, como um boleto que se paga sozinho assim que o dinheiro entra na conta) e gerenciar a liquidez de mercados tokenizados. Em termos de mercado brasileiro, isso poderia impactar diretamente a forma como fundos de investimento, debêntures e até ações da bolsa são negociados, reduzindo custos operacionais e aumentando a velocidade de liquidação (hoje, uma compra de ação na B3 leva dois dias úteis para ser liquidada; em blockchain, seria instantânea).
📊 Número do Dia
2030 , Ano em que Wall Street operará inteiramente em blockchain, segundo previsão do CEO da Brickken, Edwin Mata, conforme reportagem da CoinDesk de junho de 2026.
Por que isso importa
Se a previsão de Mata se confirmar, o modelo de negociação de ativos financeiros mudará radicalmente em poucos anos. Para o investidor brasileiro, isso pode significar acesso mais rápido e barato a mercados globais, mas também exige atenção à regulação local: se o Brasil seguir o caminho europeu de regras rígidas, startups nacionais de tokenização podem perder competitividade para players americanos. A CVM e o Banco Central terão papel decisivo em definir se o país acompanha ou fica para trás nessa transformação.
Fonte original: https://www.coindesk.com/business/2026/06/09/wall-street-will-be-entirely-onchain-by-2030-brickken-ceo-edwin-mata-says













