A proposta da FCA estabelece um teto de 10% para alocação em ETNs de criptomoedas por fundos regulados no Reino Unido. ETNs (Exchange Traded Notes) são títulos negociados em bolsa que acompanham o preço de um ativo subjacente, neste caso, criptomoedas como Bitcoin ou Ethereum. Funcionam de forma parecida com um certificado: o investidor compra o papel na bolsa, e o emissor garante que o valor reflete a variação da criptomoeda, sem que o investidor precise abrir uma carteira digital (wallet) ou lidar diretamente com a custódia dos ativos. A título de comparação, é um modelo semelhante aos ETFs de cripto negociados na B3, como HASH11 e QBTC11, que permitem exposição ao Bitcoin sem comprar a moeda diretamente.
Segundo a The Block, a medida representa uma extensão da abertura iniciada em 2025, quando o Reino Unido reverteu a proibição de venda de produtos cripto para investidores de varejo (pessoas físicas comuns, não institucionais). Até então, apenas investidores qualificados (com patrimônio elevado ou experiência comprovada) podiam acessar esses produtos no mercado britânico. Agora, com a nova proposta, fundos tradicionais autorizados pela FCA poderiam incluir uma fatia de até 10% em ETNs cripto em suas carteiras, ampliando indiretamente o acesso de investidores comuns a esses ativos por meio de fundos regulados.
Para contextualizar, o limite de 10% é uma prática comum em regulação de fundos quando se trata de ativos considerados de maior risco ou volatilidade. No Brasil, a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) também impõe limites de concentração para fundos de investimento, embora ainda não exista uma regra específica para alocação em criptomoedas por fundos tradicionais. A proposta britânica pode servir de referência para outros países, incluindo o Brasil, que discutem como integrar ativos digitais ao sistema financeiro regulado. Historicamente, o Reino Unido tem adotado uma postura mais cautelosa que os Estados Unidos em relação a produtos cripto para varejo, mas mais aberta que a União Europeia, que mantém restrições mais rígidas.
A FCA não divulgou prazo para aprovação definitiva da proposta, que ainda passará por consulta pública. Caso aprovada, a medida colocaria o Reino Unido entre os mercados desenvolvidos com regras claras para alocação institucional em cripto, ao lado de Suíça e Hong Kong, que já permitem produtos similares. Para o investidor brasileiro, a notícia reforça uma tendência global: criptomoedas estão deixando de ser um mercado paralelo e passando a integrar carteiras de fundos tradicionais, com limites e supervisão. Isso pode acelerar a pressão sobre a CVM e o Banco Central para definirem regras semelhantes no Brasil, especialmente com o avanço do Drex (o real digital) e a crescente demanda por produtos cripto regulados na B3.
📊 Número do Dia
10% , Teto proposto pela FCA para alocação de fundos regulados britânicos em ETNs de criptomoedas, limite comum para ativos de maior volatilidade.
Por que isso importa
A proposta britânica sinaliza que criptomoedas estão sendo integradas ao sistema financeiro tradicional com regras claras, e não mais tratadas como mercado paralelo. Para o investidor brasileiro, isso reforça a tendência de que produtos cripto regulados (como os ETFs da B3) devem ganhar espaço, e pressiona reguladores locais a definirem limites e regras para fundos tradicionais alocarem em ativos digitais. Se aprovada, a medida pode servir de modelo para a CVM ao discutir a regulação de fundos com exposição a cripto no Brasil.
Fonte original: https://www.theblock.co/post/403957/uk-fca-proposes-allowing-authorized-funds-to-allocate-up-to-10-to-crypto-etns?utm_source=rss&utm_medium=rss












