O governo brasileiro está negociando com o Novo Banco de Desenvolvimento do BRICS (grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) recursos para modernizar a infraestrutura cultural do país. O secretário executivo do Ministério da Cultura, Márcio Tavares, apresentou à presidenta do banco, Dilma Rousseff, uma série de projetos que incluem desde a reconversão verde de equipamentos culturais — ou seja, tornar teatros, museus e centros culturais mais sustentáveis ambientalmente — até o desenvolvimento tecnológico do setor criativo, segundo informações da Agência Brasil.
Entre as propostas está a criação de novos Centros de Artes e Esportes Unificados (CEUs da Cultura) e unidades da rede MovCeus (equipamentos culturais itinerantes, como bibliotecas e cinemas móveis) por todo o país, além da reforma dos já existentes. “A cultura é um vetor estratégico para o desenvolvimento, que caminha em paralelo à geração de renda e à transição ecológica”, afirmou Tavares, destacando a importância do apoio financeiro do banco para ampliar e modernizar a infraestrutura cultural brasileira.
O Novo Banco de Desenvolvimento foi criado em 2014 pelos países do BRICS como alternativa ao Banco Mundial e ao Fundo Monetário Internacional, com foco em financiar infraestrutura e desenvolvimento sustentável em economias emergentes. A título de comparação, enquanto o Brasil busca recursos para cultura, países como a Índia já utilizaram o NDB para financiar projetos de energia renovável e transporte urbano, mostrando que o banco tem capacidade de apoiar setores diversos além da infraestrutura tradicional.
Durante o encontro em Xangai, Tavares também apresentou o Tela Brasil, plataforma pública de streaming lançada em 30 de maio com 555 obras audiovisuais brasileiras disponíveis gratuitamente — incluindo 19 filmes que já representaram o país na disputa pelo Oscar. A plataforma funciona como uma espécie de “Netflix pública”, reunindo produções financiadas pelo governo e guardadas por instituições como a Cinemateca Brasileira. Das obras disponíveis, 267 são curtas-metragens, 139 longas-metragens e 64 obras seriadas, conforme dados da Agência Brasil.
A conversa também abordou a programação do Ano Cultural Brasil-China 2026, iniciativa de diplomacia cultural promovida pelos dois governos para fortalecer os laços culturais e a parceria estratégica bilateral.
📊 Número do Dia
555 — obras audiovisuais brasileiras disponíveis gratuitamente na plataforma pública Tela Brasil, lançada pelo governo federal em maio de 2026
Por que isso importa
Para o cidadão, o acesso a financiamento internacional pode significar mais centros culturais em bairros periféricos e cidades do interior, além de equipamentos modernos e sustentáveis. Para o setor criativo brasileiro, representa oportunidade de desenvolvimento tecnológico e geração de empregos. Para o país, fortalece a diplomacia cultural e diversifica as fontes de financiamento para além dos bancos tradicionais ocidentais, aproveitando a parceria estratégica com economias emergentes do BRICS.
Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-06/minc-busca-apoio-do-brics-para-infraestrutura-cultural












