A Coinbase e a Better concluíram o primeiro empréstimo imobiliário nos Estados Unidos que aceita Bitcoin como garantia, com aval da Fannie Mae (agência federal que regula e garante hipotecas no país). Conforme reportou a The Block, o modelo permite que investidores usem suas criptomoedas para obter crédito imobiliário sem precisar vender os ativos digitais. Na prática, funciona como um penhor: o Bitcoin fica bloqueado como garantia enquanto o empréstimo está ativo, similar a quando alguém deixa um imóvel como garantia de outro financiamento.
O modelo representa uma ponte inédita entre o mercado cripto e o sistema financeiro tradicional americano. A Fannie Mae, criada em 1938, é uma das maiores garantidoras de hipotecas dos Estados Unidos, com papel comparável ao do Sistema Financeiro de Habitação (SFH) no Brasil. Ao aceitar Bitcoin como colateral (garantia) em operações que ela própria chancela, a agência sinaliza reconhecimento formal das criptomoedas como ativo financeiro legítimo. Historicamente, bancos tradicionais evitavam aceitar cripto como garantia devido à alta volatilidade (variação de preço acentuada, como o preço do tomate na feira em semana de chuva).
A operação piloto foi concluída com sucesso, segundo as empresas, e o plano agora é expandir o serviço para todo o território americano. A Coinbase não divulgou o valor do empréstimo nem detalhes sobre taxas de juros ou percentual de garantia exigido (quanto de Bitcoin é necessário bloquear para cada dólar emprestado). A janela temporal para o lançamento nacional não foi especificada pela fonte, mas as empresas indicaram que a expansão ocorrerá “em breve”.
Para o investidor brasileiro, a notícia ilustra um movimento global de integração entre cripto e finanças tradicionais, mas ainda sem paralelo direto no Brasil. No mercado brasileiro, não existe hoje nenhum banco ou fintech que aceite Bitcoin ou outras criptomoedas como garantia para financiamento imobiliário. A regulação local, conduzida pelo Banco Central e pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), ainda trata criptoativos de forma separada do sistema de crédito habitacional. A título de comparação, enquanto nos EUA a Fannie Mae já valida esse tipo de operação, no Brasil o Sistema Financeiro de Habitação opera exclusivamente com garantias tradicionais (imóveis, renda comprovada, FGTS).
📊 Número do Dia
1 , Primeiro empréstimo imobiliário lastreado em Bitcoin aprovado pela Fannie Mae nos Estados Unidos
Por que isso importa
A operação marca a entrada formal de criptomoedas no mercado de crédito imobiliário americano, um dos maiores e mais regulados do mundo. Para investidores cripto, abre a possibilidade de usar Bitcoin como garantia sem precisar vender o ativo (e, portanto, sem pagar imposto sobre ganho de capital). Para o mercado tradicional, sinaliza que agências federais começam a reconhecer cripto como colateral legítimo. No Brasil, o modelo ainda não encontra paralelo regulatório, mas a experiência americana pode servir de referência para futuras discussões sobre integração de criptoativos ao sistema financeiro local.
Fonte original: https://www.theblock.co/post/403640/coinbase-better-first-bitcoin-backed-mortgage-nationwide-rollout-soon?utm_source=rss&utm_medium=rss


