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Citi projeta mercado de títulos tokenizados em US$ 5,5 trilhões até 2030

Citi projeta mercado de títulos tokenizados em US$ 5,5 tri até 2030. Stablecoins gerarão demanda de US$ 1 tri em Treasuries. Entenda o impacto para o Brasil.
O Citigroup divulgou projeção segundo a qual o mercado de valores mobiliários tokenizados (títulos e ações registrados em blockchain) deve atingir US$ 5,5 trilhões até 2030, conforme reportou a CoinDesk em 1º de junho de 2026.

O Citigroup estima que o mercado de títulos e ações tokenizados alcançará US$ 5,5 trilhões até 2030, segundo relatório divulgado neste domingo e reportado pela CoinDesk. Tokenização, neste contexto, significa registrar valores mobiliários tradicionais (como ações e títulos públicos) em redes blockchain, permitindo negociação e custódia digitais sem intermediários tradicionais. Para contextualizar a escala: US$ 5,5 trilhões equivalem a cerca de R$ 27,5 trilhões (considerando câmbio de R$ 5,00 por dólar), valor próximo ao PIB brasileiro inteiro.

Segundo o Citi, as stablecoins (criptomoedas atreladas ao dólar que mantêm valor estável, como o USDC) sozinhas gerarão demanda por até US$ 1 trilhão em títulos do Tesouro americano registrados em blockchain. Isso ocorre porque emissores de stablecoins precisam manter reservas em ativos seguros para garantir a paridade com o dólar. Além disso, o banco projeta demanda de US$ 2,6 trilhões para ações tokenizadas, ou seja, ações de empresas tradicionais representadas digitalmente em blockchain.

A projeção do Citi reflete tendência já observada em mercados desenvolvidos: grandes instituições financeiras testam a emissão de títulos de dívida e fundos de investimento diretamente em blockchain, reduzindo custos de liquidação e ampliando acesso. Para o investidor brasileiro, a tokenização de valores mobiliários pode significar, no futuro, acesso facilitado a ativos internacionais sem necessidade de abrir conta no exterior, desde que plataformas reguladas localmente ofereçam esses produtos. Historicamente, o brasileiro enfrenta barreiras cambiais e burocráticas para investir fora; a tokenização poderia simplificar esse processo, embora ainda dependa de regulamentação clara pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

No Brasil, a discussão sobre tokenização de ativos avança lentamente. A CVM publicou em 2023 orientações sobre a oferta de tokens representativos de valores mobiliários, mas o mercado local ainda é incipiente comparado aos Estados Unidos e Europa. A projeção do Citi sinaliza que grandes bancos globais apostam na migração de parte relevante do mercado financeiro tradicional para infraestrutura blockchain nos próximos quatro anos. Isso pode pressionar reguladores brasileiros a acelerar normas para não deixar o país fora desse movimento.

📊 Número do Dia

US$ 5,5 trilhões , Tamanho projetado do mercado de títulos e ações tokenizados até 2030, segundo o Citigroup. Valor equivale a cerca de R$ 27,5 trilhões, próximo ao PIB brasileiro.

Por que isso importa

A projeção do Citi indica que a tokenização de ativos financeiros tradicionais deixou de ser experimento e caminha para se tornar infraestrutura relevante do mercado global. Para o investidor brasileiro, isso pode significar acesso mais simples e barato a ativos internacionais, mas depende de avanços regulatórios locais. A CVM e o Banco Central precisarão definir regras claras para que o Brasil não fique à margem dessa transformação, que promete reduzir custos de intermediação e ampliar liquidez de mercados.


Fonte original: https://www.coindesk.com/markets/2026/06/01/citi-predicts-the-tokenized-securities-market-will-grow-to-usd5-5-trillion-by-2030

Foto de Roberta Silva

Roberta Silva

Jornalista econômica especializada em política monetária e macroeconomia brasileira. Acompanha as decisões do Banco Central, os números do IPCA e os impactos da Selic. Responsável pelas seções Economia e Política Econômica.
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