O governo dos Estados Unidos dobrou em poucos meses o volume de criptomoedas confiscadas do Irã, saltando de US$ 500 milhões no início de 2025 para quase US$ 1 bilhão agora. A informação foi divulgada pelo secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, segundo reportagem da The Block publicada em 29 de maio de 2025. A janela temporal exata entre as duas declarações não foi especificada pela fonte, mas ambas ocorreram dentro do ano de 2025.
Para contextualizar a escala desse confisco: US$ 1 bilhão equivale a aproximadamente R$ 5,5 bilhões na cotação atual (considerando dólar a R$ 5,50, taxa de referência em maio de 2025). Esse montante supera o valor de mercado de muitas empresas listadas na B3, a bolsa brasileira, e representa uma operação de apreensão de ativos digitais sem precedentes em termos de volume.
As criptomoedas têm sido utilizadas por governos sob sanções internacionais, como o Irã, para contornar restrições do sistema financeiro tradicional. Diferentemente de transferências bancárias convencionais, que passam por intermediários regulados (bancos e redes como SWIFT), transações em blockchain (o registro público e descentralizado que sustenta as criptomoedas) podem ser realizadas diretamente entre partes, sem necessidade de aprovação de terceiros. Isso torna os ativos digitais uma ferramenta atraente para países que enfrentam bloqueios econômicos, mas também um alvo prioritário para autoridades que buscam fazer valer sanções.
A apreensão de criptomoedas funciona de maneira diferente do confisco de dinheiro físico ou contas bancárias. Quando autoridades conseguem identificar e acessar as chaves privadas (senhas criptográficas que controlam carteiras digitais, ou wallets), podem transferir os ativos para endereços sob controle governamental. O salto de US$ 500 milhões para US$ 1 bilhão em menos de seis meses sugere que as agências americanas intensificaram operações de rastreamento on-chain (análise de movimentações registradas publicamente na blockchain) e cooperação internacional para localizar esses fundos.
O ângulo brasileiro
Para o investidor brasileiro, o caso ilustra um risco regulatório crescente no universo cripto: a capacidade de governos de rastrear e confiscar ativos digitais, mesmo quando estes são apresentados como descentralizados e resistentes à censura. Embora o Brasil não esteja sob sanções internacionais, a Receita Federal e o Banco Central têm ampliado ferramentas de monitoramento de transações em criptomoedas, exigindo desde 2019 que exchanges (plataformas de compra e venda de cripto) reportem operações acima de determinados valores.
Segundo conhecimento de mercado, o Brasil segue tendência global de maior fiscalização sobre ativos digitais, com a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) discutindo regras para fundos de criptomoedas e o Banco Central desenvolvendo o Drex, a moeda digital do banco central brasileiro. A título de comparação, enquanto o Irã usa cripto para escapar de sanções, o Brasil busca integrar esses ativos ao sistema financeiro regulado, criando um ambiente de maior transparência, mas também de maior controle estatal.
📊 Número do Dia
US$ 1 bilhão , Volume total de criptomoedas confiscadas pelo governo dos EUA do Irã, segundo o secretário do Tesouro Scott Bessent em maio de 2025, o dobro do montante anunciado no início do mesmo ano.
Por que isso importa
O confisco bilionário de criptomoedas iranianas pelos EUA demonstra que, apesar da narrativa de descentralização, ativos digitais não estão imunes à ação de governos. Para o investidor brasileiro, o caso reforça a importância de entender que criptomoedas operam em um ambiente cada vez mais regulado globalmente, e que autoridades têm desenvolvido capacidade técnica para rastrear e apreender fundos. A transparência da blockchain, que permite auditar transações publicamente, também facilita investigações governamentais, um paradoxo que afeta tanto regimes sob sanções quanto usuários comuns que buscam privacidade financeira.
Fonte original: https://www.theblock.co/post/403075/us-has-seized-nearly-1-billion-in-crypto-from-iran-bessent-says?utm_source=rss&utm_medium=rss












