A Petrobras e a Pemex (empresa estatal mexicana de petróleo e gás) estão negociando uma parceria para explorar petróleo em águas profundas no Golfo do México, além de projetos conjuntos de refino e gás. Segundo o presidente Lula, a presidente do México, Claudia Sheinbaum, telefonou para manifestar interesse na cooperação. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, viajará ao México para tratar das negociações.
Missões técnicas de ambas as estatais já foram realizadas no México e no Brasil para avaliar a viabilidade geológica (ou seja, se há petróleo em quantidade suficiente), as reservas disponíveis e as regras regulatórias da região. A exploração ocorreria em águas com profundidade de até 2,5 mil metros — uma especialidade da Petrobras, que domina essa tecnologia desde as descobertas do pré-sal brasileiro. Para efeito de comparação, a Petrobras opera em profundidades superiores a 2 mil metros no litoral brasileiro, enquanto a maioria das petroleiras internacionais ainda enfrenta desafios técnicos nessas condições.
Contexto geopolítico e investimentos domésticos
A parceria ganha relevância em meio às ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de interferir em países latino-americanos. Lula afirmou que a cooperação entre Brasil e México fortalece a presença das estatais na região, em um momento de tensão com Washington. “Vamos ver se o companheiro Trump vai se meter com a Petrobras prospectando água a 2,5 mil metros”, declarou o presidente.
Paralelamente, a Petrobras anunciou investimentos de mais de R$ 2,8 bilhões no Amazonas. Os recursos serão destinados à ampliação da produção de gás natural no Polo Urucu, em Coari, e à construção de embarcações no Estaleiro Bertolini, em Manaus. A estratégia visa reduzir a dependência de equipamentos estrangeiros e reativar a indústria naval brasileira, que saltou de 16 mil para 75 mil trabalhadores nos últimos anos.
Segundo Lula, a fabricação de embarcações em solo brasileiro gera autonomia e empregos. “O minério de ferro é nosso, a siderúrgica é nossa, o estaleiro é nosso, a Petrobras é nossa. Por que a gente tem que comprar dos outros?”, questionou. Em abril, o Brasil gastou US$ 1,130 bilhão com aluguel de equipamentos como plataformas e maquinários de empresas estrangeiras — um déficit que o governo pretende reduzir com a produção local. É como se o país pagasse um aluguel mensal altíssimo por ferramentas que poderia fabricar em casa.
Comparação internacional
A parceria entre Petrobras e Pemex segue uma tendência global de cooperação entre estatais de países emergentes para dividir riscos e custos em projetos de exploração offshore (em alto-mar). A título de comparação, a Noruega — referência mundial em petróleo — mantém parcerias semelhantes entre sua estatal Equinor e empresas de países vizinhos no Mar do Norte, compartilhando tecnologia e infraestrutura para maximizar a eficiência.
📊 Número do Dia
R$ 2,8 bilhões — Valor que a Petrobras investirá no Amazonas para ampliar produção de gás e construir embarcações, fortalecendo a indústria naval brasileira
Por que isso importa
Para o investidor, a expansão internacional da Petrobras pode diversificar receitas e reduzir riscos geopolíticos. Para a empresa, a parceria com a Pemex abre acesso a novas reservas e fortalece a posição da estatal no mercado latino-americano. Para o cidadão, os investimentos na indústria naval significam mais empregos qualificados e menor dependência de equipamentos estrangeiros, reduzindo o déficit comercial do país em transporte marítimo — que hoje consome mais de US$ 1 bilhão por ano apenas em aluguéis de plataformas e maquinários.
Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-05/petrobras-e-pemex-discutem-parceria-para-exploracao-no-golfo-do-mexico












