Página inicial / Cripto / CFTC e Gemini pedem para anular acordo de US$ 5 milhões

CFTC e Gemini pedem para anular acordo de US$ 5 milhões

CFTC e Gemini pedem anulação de acordo de US$ 5 milhões firmado em 2025. Regulador admite que processo não deveria ter sido aberto. Entenda o impacto.
A CFTC (Commodity Futures Trading Commission, órgão regulador de derivativos dos Estados Unidos) e a exchange de criptomoedas Gemini entraram com pedido conjunto para anular um acordo de US$ 5 milhões firmado em 2025. Segundo a Decrypt, o regulador afirma que o processo original não deveria ter sido iniciado.

A CFTC e a Gemini pediram à Justiça americana que reverta um acordo de consentimento (um tipo de acordo em que a empresa paga multa sem admitir culpa) firmado em 2025 no valor de US$ 5 milhões. Conforme reportou a Decrypt em 28 de maio de 2026, o regulador e a exchange de criptomoedas apresentaram uma moção conjunta afirmando que o processo original “não deveria ter sido aberto”. O movimento é incomum: reguladores raramente voltam atrás em acordos já firmados.

A Gemini é uma das maiores exchanges de criptomoedas dos Estados Unidos, fundada pelos irmãos Winklevoss (os mesmos que processaram Mark Zuckerberg alegando roubo da ideia do Facebook). A CFTC é o órgão americano responsável por fiscalizar mercados de derivativos (contratos futuros, opções e outros instrumentos financeiros que derivam de um ativo base), incluindo derivativos de Bitcoin e outras criptomoedas. Para contextualizar, no Brasil, essa função equivale à da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e do Banco Central, que regulam mercados de capitais e ativos digitais.

O pedido de reversão sugere mudança de postura regulatória nos Estados Unidos, possivelmente ligada à troca de gestão na CFTC ou a reavaliações internas sobre critérios de fiscalização. A fonte não detalha o motivo original da multa nem a janela temporal exata do acordo, mas o fato de o próprio regulador pedir a anulação indica reconhecimento de erro processual ou de interpretação legal. Historicamente, acordos de consentimento são ferramentas que reguladores usam para encerrar investigações sem litígio prolongado, mas reversões desse tipo são raras e sinalizam possível revisão de práticas regulatórias.

Para o investidor brasileiro, o caso ilustra a volatilidade regulatória que ainda marca o setor cripto globalmente. Enquanto o Brasil avança com o marco legal das criptomoedas (Lei 14.478/2022) e o Banco Central estrutura regras para exchanges, os Estados Unidos seguem com abordagem fragmentada, dividida entre CFTC, SEC (Securities and Exchange Commission) e outros órgãos. A indefinição americana afeta indiretamente o mercado brasileiro, já que muitas exchanges globais operam aqui e decisões regulatórias nos EUA influenciam padrões internacionais de compliance (conformidade com regras).

📊 Número do Dia

US$ 5 milhões , Valor do acordo que CFTC e Gemini agora querem anular, em movimento raro de reversão regulatória nos Estados Unidos.

Por que isso importa

A reversão de um acordo regulatório pela própria CFTC sinaliza possível mudança de postura na fiscalização de criptomoedas nos Estados Unidos, o maior mercado cripto do mundo. Para o investidor brasileiro, isso reforça a importância de acompanhar a regulação local (Banco Central, CVM) e escolher exchanges que operem dentro das regras brasileiras, já que a indefinição regulatória americana pode afetar plataformas globais que atuam no Brasil. O caso também ilustra que até reguladores podem reconhecer erros, o que é positivo para a maturidade do setor.


Fonte original: https://decrypt.co/369252/cftc-gemini-file-joint-motion-to-reverse-5m-settlement

Foto de Roberta Silva

Roberta Silva

Jornalista econômica especializada em política monetária e macroeconomia brasileira. Acompanha as decisões do Banco Central, os números do IPCA e os impactos da Selic. Responsável pelas seções Economia e Política Econômica.
Banner vertical do jornal Correio Capital com mensagem institucional convidando para acompanhar análises sobre a economia brasileira e assinar a newsletter.

Últimas notícias