Depois de um ano difícil, o café voltou a ganhar espaço na mesa dos brasileiros. O consumo da bebida cresceu 2,44% nos primeiros quatro meses de 2026 comparado ao mesmo período do ano anterior, alcançando 4,9 milhões de sacas de 60 quilos, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic). A recuperação é resultado direto da queda nos preços nos supermercados — o quilo do café tradicional caiu 15,51% em abril de 2026 frente a abril de 2025, custando cerca de R$ 55,34.
O movimento representa uma inversão clara de tendência. Em 2025, o consumo havia recuado 2,31% pressionado pela alta de preços, que funcionou como um freio no bolso do consumidor. É como quando o aluguel sobe demais e as pessoas precisam mudar para um apartamento menor: o café, produto do dia a dia, foi cortado ou substituído por versões mais baratas. Agora, com a normalização dos preços, o hábito volta.
Safra recorde à vista
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma safra de 66,7 milhões de sacas em 2026, alta de 18% sobre 2025 e a maior da série histórica. Se confirmada, superará em 5,74% o recorde anterior, de 2020. Essa oferta maior de grãos é o principal motor da queda de preços. Pavel Cardoso, presidente da Abic, explicou à Agência Brasil que “havendo uma manutenção nessa expectativa de safra, a indústria naturalmente deve transferir isso para o varejo”.
A título de comparação, o Brasil é o maior produtor e exportador mundial de café, responsável por cerca de um terço da oferta global — volume superior ao da Colômbia e do Vietnã, segundo e terceiro colocados, somados. Internamente, porém, o consumo per capita brasileiro (cerca de 4,8 kg/ano) ainda fica abaixo de países como Finlândia (12 kg/ano) e Noruega (9,9 kg/ano), segundo dados da Organização Internacional do Café.
Categorias premium resistem
Nem todas as categorias de café seguiram a tendência de queda. Cafés especiais subiram 16,9%, descafeinados 21% e solúveis 0,55% no período, segundo a Abic. Esses segmentos atendem nichos específicos e têm menor sensibilidade a preço — o consumidor que busca um café de origem controlada ou sem cafeína tende a manter o hábito mesmo com alta. Das oito categorias monitoradas, cinco registraram queda.
Celírio Inácio, diretor executivo da Abic, destacou que “o ano de 2025 foi bastante resiliente com a cafeicultura em geral e culminou com queda no consumo. Começamos 2026 ainda não recuperando totalmente, mas em março começamos a mostrar um crescimento maior” — de 10,25% naquele mês, desacelerando para 3,66% em abril.
📊 Número do Dia
66,7 milhões — de sacas de café previstas para a safra de 2026 — recorde histórico no Brasil
Por que isso importa
Para o consumidor, a safra recorde significa a possibilidade de preços mais baixos ao longo do ano, aliviando o orçamento doméstico em um item de consumo diário. Para a indústria, a recuperação do consumo interno é vital: o mercado brasileiro absorve cerca de 40% da produção nacional, e a queda de 2025 pressionou margens. Para o país, o café segue como um dos principais produtos de exportação, gerando divisas e empregos no campo — a estabilidade de preços fortalece toda a cadeia produtiva.
Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-05/consumo-de-cafe-sobe-244-no-primeiro-quadrimestre-deste-ano












