O Federal Reserve abriu consulta pública sobre um novo tipo de conta bancária simplificada (chamada de “skinny account”, ou conta enxuta) voltada especificamente para empresas de tecnologia financeira e criptomoedas. Segundo reportagem da Cointelegraph publicada em 21 de maio de 2024, a proposta permite que essas empresas acessem diretamente o sistema de pagamentos dos Estados Unidos, sem precisar passar por bancos tradicionais como intermediários. Para contextualizar: é como se uma exchange de criptomoedas pudesse movimentar dinheiro no sistema bancário americano com a mesma facilidade que um banco convencional, mas com regras específicas e mais restritas.
A iniciativa surge após ordem executiva do presidente Donald Trump favorável ao setor de ativos digitais. Conforme a fonte, o Fed também anunciou uma pausa temporária na análise de pedidos de nível 3 (Tier 3), categoria que inclui empresas não bancárias que buscam acesso ao sistema de pagamentos. Historicamente, empresas de criptomoedas enfrentaram dificuldades para obter contas bancárias nos Estados Unidos, fenômeno conhecido como “debanking” (quando bancos recusam ou encerram contas de clientes do setor cripto por considerarem o risco regulatório elevado).
A proposta do Fed estabelece um framework (conjunto de regras) limitado para essas contas simplificadas. Segundo a Cointelegraph, o modelo busca equilibrar inovação financeira com supervisão prudencial, permitindo que fintechs e empresas cripto operem dentro do sistema regulado sem assumir todas as obrigações de um banco completo. A consulta pública permitirá que o mercado opine sobre os detalhes dessa estrutura antes da implementação final.
Para o investidor brasileiro, a medida tem relevância indireta mas significativa. Exchanges globais que operam no Brasil (como Binance, Coinbase e Kraken) dependem de acesso ao sistema bancário americano para liquidar operações internacionais. Facilitar esse acesso pode reduzir custos operacionais e melhorar a eficiência das transferências entre países, potencialmente beneficiando usuários brasileiros dessas plataformas. A título de comparação: no Brasil, o Banco Central já permite que instituições de pagamento (como PicPay e Mercado Pago) acessem o sistema de pagamentos instantâneos (Pix) sem serem bancos completos, modelo que guarda semelhanças com a proposta americana.
A pausa nos pedidos Tier 3, segundo a fonte, visa reorganizar o processo de análise enquanto as novas regras são desenhadas. Empresas que já haviam solicitado acesso ao sistema de pagamentos americano terão seus processos temporariamente suspensos até que o Fed defina os critérios finais para as contas simplificadas. Dados públicos do setor indicam que dezenas de empresas cripto aguardavam decisão sobre esses pedidos nos últimos anos.
📊 Número do Dia
Tier 3 , Categoria de pedidos de acesso ao sistema de pagamentos do Fed que inclui empresas não bancárias, como fintechs e exchanges cripto, agora pausada temporariamente enquanto novas regras são definidas.
Por que isso importa
A proposta do Fed representa uma mudança significativa na postura regulatória americana em relação às criptomoedas. Se implementada, pode reduzir barreiras operacionais para empresas do setor, diminuir custos de transações internacionais e estabelecer um precedente regulatório que outros países (incluindo o Brasil, que desenvolve o Drex e regulamenta exchanges desde 2022) podem observar. Para o investidor brasileiro que usa plataformas globais, acesso bancário mais fácil nos Estados Unidos pode significar saques e depósitos mais rápidos e baratos.


