O Banco da Inglaterra vê na tokenização uma ferramenta para tornar o sistema financeiro mais eficiente e acessível. Conforme reportou a Cointelegraph, o vice-governador da instituição defendeu que a conversão de ativos tradicionais em tokens digitais (representações de bens ou direitos registradas em blockchain, uma espécie de livro-razão digital público e imutável) pode reduzir custos de intermediação e abrir espaço para novos competidores no mercado. A lógica é simples: ao eliminar etapas manuais e intermediários, a tecnologia blockchain permite que transações financeiras sejam processadas de forma mais rápida e barata, como um cartório que funciona 24 horas por dia, sem papel e sem filas.
A declaração ocorre em meio a reformas regulatórias que o Reino Unido está desenhando para stablecoins e para sistemas de liquidação financeira. Segundo a fonte, o BoE avalia permitir liquidações financeiras quase ininterruptas (próximas de 24 horas por dia, 7 dias por semana) para dar suporte a mercados tokenizados. Para contextualizar, no Brasil, o sistema de pagamentos instantâneos (Pix) já opera 24/7, mas a liquidação de ativos na bolsa (B3) ainda segue horários comerciais. A proposta britânica busca alinhar a infraestrutura financeira tradicional à velocidade dos ativos digitais, permitindo que títulos, ações ou commodities tokenizados sejam negociados e liquidados a qualquer momento, sem depender de horários de abertura de mercado.
O vice-governador também destacou que o dinheiro digital deve permanecer confiável e interoperável (ou seja, capaz de funcionar em diferentes plataformas e sistemas sem barreiras técnicas). Essa preocupação reflete o debate global sobre como integrar inovações cripto ao sistema financeiro tradicional sem comprometer a estabilidade. No Brasil, o Banco Central desenvolve o Drex, uma versão digital do real que também busca interoperabilidade com sistemas de pagamento existentes e, potencialmente, com ativos tokenizados. A experiência britânica pode servir de referência para a regulação brasileira, especialmente no que diz respeito à convivência entre stablecoins privadas e moedas digitais de bancos centrais (CBDCs, na sigla em inglês).
Para o investidor brasileiro, a notícia reforça uma tendência global: grandes economias estão apostando que a tokenização de ativos tradicionais (como ações, títulos de dívida ou imóveis) pode se tornar padrão nos próximos anos. Isso pode abrir caminho para que fundos de investimento e corretoras brasileiras ofereçam produtos tokenizados, ampliando o acesso a mercados internacionais e reduzindo custos de transação. A título de comparação, hoje um investidor brasileiro que compra ações na bolsa de Nova York paga taxas de câmbio, corretagem internacional e custódia; com ativos tokenizados, parte dessas etapas poderia ser automatizada e barateada.
📊 Número do Dia
24/7 , Horas de funcionamento que o Banco da Inglaterra estuda para liquidação de ativos tokenizados, eliminando os limites de horário comercial do sistema financeiro tradicional.
Por que isso importa
A aposta do Banco da Inglaterra em tokenização e liquidação contínua sinaliza que economias desenvolvidas estão integrando blockchain ao sistema financeiro tradicional. Para o Brasil, isso pode acelerar a adoção do Drex e de ativos tokenizados na B3, reduzindo custos para investidores e empresas. Além disso, a experiência britânica com stablecoins pode influenciar a regulação da CVM e do Banco Central sobre moedas digitais privadas, tema ainda em aberto no país.












