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Lula defende exploração de petróleo na Margem Equatorial

Lula defende exploração na Margem Equatorial por soberania. Petrobras anuncia R$ 37 bi em investimentos em SP e meta de autossuficiência em diesel até 2030.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta segunda-feira (18) a exploração de petróleo na Bacia da Foz do Amazonas, região conhecida como Margem Equatorial, durante visita à Refinaria de Paulínia (Replan), no interior de São Paulo.

O presidente Lula justificou a exploração de petróleo na Margem Equatorial — uma região no norte do Brasil com grande potencial petrolífero, comparável ao pré-sal — como questão de soberania nacional. Durante visita à maior refinaria do país, em Paulínia (SP), ele afirmou que a atividade será feita “com responsabilidade” para evitar danos ambientais, mas alertou para o risco de outros países reivindicarem a área caso o Brasil não a ocupe.

“Quem garante que ele [Trump] não vá dizer que a Margem Equatorial é dele também?”, questionou Lula, citando declarações recentes do presidente dos Estados Unidos sobre o Canadá, a Groenlândia e o Golfo do México. A Petrobras obteve em 2025 a licença do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente) para iniciar pesquisas exploratórias na região, considerada o “novo pré-sal” brasileiro.

Críticas à privatização e defesa da Petrobras

O presidente criticou duramente as privatizações da BR Distribuidora (2019) e da Liquigás (2020), comparando o processo a “vender mortadela em fatias” para desmantelar a estatal. Segundo Lula, se a Petrobras fosse privada, os brasileiros sentiriam ainda mais no bolso o impacto da guerra no Oriente Médio, que elevou os preços internacionais do petróleo.

Ele explicou que o governo está usando recursos do Orçamento e impostos sobre exportação de petróleo para subsidiar diesel e gasolina, evitando repassar ao consumidor o aumento causado pelo conflito no Irã. É como se o governo funcionasse como um amortecedor: absorve parte do choque externo para que o motorista não sinta todo o impacto na bomba. “A guerra do Irã é culpa do Trump”, afirmou o presidente, responsabilizando a política externa americana pela escalada dos conflitos.

R$ 37 bilhões em investimentos até 2030

A Petrobras anunciou R$ 37 bilhões em investimentos no estado de São Paulo até 2030, destinados a refino, biorrefino (produção de combustíveis a partir de fontes renováveis), logística, exploração, produção e descarbonização. Segundo a estatal, os recursos devem gerar 38 mil empregos diretos e indiretos.

Cerca de R$ 6 bilhões serão aplicados na Replan, que hoje processa 434 mil barris de petróleo por dia — volume que deve subir para 459 mil barris diários. A refinaria abastece mais de 30% do território brasileiro. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, destacou que a empresa pretende produzir combustível de aviação com até 5% de renováveis até o final do ano e anunciar em breve a viabilidade comercial de uma nova descoberta no bloco Aram, no pré-sal da Bacia de Santos.

Chambriard também se comprometeu a tornar o Brasil autossuficiente em diesel até 2030. Atualmente, a Petrobras responde por 75% do abastecimento nacional de diesel (o combustível usado em caminhões, ônibus e máquinas agrícolas), com meta de chegar a 85% e, posteriormente, a 100%.

Comparação internacional

A exploração de petróleo em áreas sensíveis ambientalmente não é exclusividade brasileira. A Noruega, por exemplo, explora petróleo no Ártico desde a década de 1980, combinando extração com rigorosos padrões ambientais e investimento dos lucros em fundo soberano que hoje ultrapassa US$ 1,6 trilhão. A título de comparação, o Brasil ainda busca equilibrar exploração de recursos naturais com proteção ambiental, debate que ganhou força com a licença concedida à Petrobras para a Margem Equatorial.

📊 Número do Dia

R$ 37 bilhões — Valor que a Petrobras investirá em São Paulo até 2030, gerando 38 mil empregos diretos e indiretos

Por que isso importa

A exploração da Margem Equatorial pode transformar o Brasil em grande exportador de petróleo, gerando receitas bilionárias e empregos. Para o cidadão, a manutenção da Petrobras como estatal permite ao governo subsidiar combustíveis em momentos de crise internacional, evitando aumentos bruscos na bomba. Para investidores, os R$ 37 bilhões anunciados sinalizam expansão da capacidade produtiva e potencial de valorização da estatal. Para empresas, a meta de autossuficiência em diesel até 2030 reduz dependência de importações e volatilidade de preços.


Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-05/lula-defende-exploracao-na-margem-equatorial-com-responsabilidade

Foto de Vitor Ribeiro

Vitor Ribeiro

Jornalista especializado em comércio internacional e economia global. Cobre as exportações brasileiras, o agronegócio e as relações comerciais do Brasil com o mundo. No Correio Capital, assina as seções Comércio Global e Brasil no Mundo.
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