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Europa concentra ataques físicos a investidores cripto

Europa concentra ataques físicos violentos a investidores cripto, com perdas de US$ 101 milhões. Entenda o fenômeno e o que muda para o Brasil.
A Europa registra uma concentração elevada de ataques físicos a detentores de criptomoedas, com perdas totais de US$ 101 milhões (cerca de R$ 570 milhões, a título de comparação), conforme relatório da empresa de segurança CertiK publicado em 8 de maio de 2025.

A Europa enfrenta um fenômeno preocupante no mercado cripto: ataques físicos violentos a investidores para roubar suas moedas digitais. Segundo a CertiK, empresa especializada em segurança blockchain (a tecnologia de registro público que sustenta as criptomoedas), o continente europeu apresenta uma “hiperconcentração” desses crimes, conhecidos no jargão do setor como “wrench attacks” (ataques de chave inglesa, numa tradução literal que remete à violência física empregada).

Esses ataques funcionam de forma brutal: criminosos forçam as vítimas, sob ameaça ou violência, a transferir seus ativos digitais. As quadrilhas costumam ter de três a cinco integrantes e usam táticas como se passar por entregadores ou atrair as vítimas para emboscadas, conforme reportou a CertiK. Diferentemente de um roubo de banco tradicional, aqui o alvo é a carteira digital (wallet, uma espécie de conta bancária sem banco) da vítima, que pode conter valores significativos em Bitcoin, Ethereum ou outras criptomoedas.

O montante acumulado de US$ 101 milhões em perdas (aproximadamente R$ 570 milhões pela cotação atual) representa um volume expressivo. Para contextualizar, esse valor equivale a mais de três vezes o patrimônio líquido do maior ETF de Bitcoin negociado na B3, o HASH11, que encerrou 2024 com cerca de R$ 150 milhões sob gestão, segundo dados públicos da bolsa brasileira. A concentração geográfica na Europa sugere que a combinação de alta adoção de criptomoedas, regulação ainda em desenvolvimento e sofisticação criminal criou um ambiente propício para esse tipo de crime.

Para o investidor brasileiro, o alerta é direto: a segurança física importa tanto quanto a digital. Embora o Brasil não apareça no relatório da CertiK como foco desses ataques, o país já registrou casos isolados de sequestros envolvendo criptomoedas nos últimos anos. A recomendação de especialistas é clara: evite expor publicamente quanto você possui em cripto, não compartilhe detalhes de investimentos em redes sociais e considere soluções de custódia profissional (empresas especializadas em guardar ativos digitais) para valores elevados.

O fenômeno europeu também levanta questões sobre a responsabilidade das exchanges (plataformas de compra e venda de criptomoedas) e dos reguladores. Diferentemente de um assalto a banco, onde há seguros e proteções institucionais, uma transferência forçada de criptomoedas é irreversível: uma vez que a vítima envia os ativos sob coação, não há como desfazer a transação. Isso torna a prevenção a única defesa eficaz, segundo conhecimento de mercado.

📊 Número do Dia

US$ 101 milhões , Total de perdas em ataques físicos violentos a investidores cripto na Europa, segundo a CertiK

Por que isso importa

Este padrão de criminalidade expõe uma vulnerabilidade pouco discutida do mercado cripto: a segurança física dos investidores. Enquanto o setor investe bilhões em proteção digital (criptografia, autenticação em duas etapas, carteiras frias), a irreversibilidade das transações blockchain torna a coação física uma estratégia lucrativa para criminosos. Para o investidor brasileiro, o recado é claro: discrição sobre patrimônio em cripto não é paranoia, é precaução básica. A ausência de seguros e mecanismos de reversão de transações coloca a responsabilidade pela segurança inteiramente nas mãos do detentor dos ativos.


Fonte original: https://cointelegraph.com/news/europe-crypto-wrench-attacks-losses-101m-certik-report?utm_source=rss_feed&utm_medium=rss&utm_campaign=rss_partner_inbound

Foto de Roberta Silva

Roberta Silva

Jornalista econômica especializada em política monetária e macroeconomia brasileira. Acompanha as decisões do Banco Central, os números do IPCA e os impactos da Selic. Responsável pelas seções Economia e Política Econômica.
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