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Mercados de Previsão Crescem 588%, Mas Maioria Perde Dinheiro

Mercados de previsão em cripto movimentaram US$ 29,8 bi em abril, alta de 588% em 12 meses. Mas análise do WSJ mostra que maioria dos traders perde dinheiro.
Os mercados de previsão baseados em blockchain registraram volume mensal recorde de US$ 29,8 bilhões em abril de 2025, alta de 588% em relação ao mesmo período de 2024. Apesar do crescimento explosivo, análise do Wall Street Journal com dados das plataformas mostra que a maioria dos participantes está perdendo dinheiro.

Os mercados de previsão em criptomoedas vivem um momento de expansão acelerada, mas os resultados para quem aposta neles contam outra história. Segundo reportagem do Wall Street Journal publicada em 4 de maio de 2025, plataformas como Polymarket e Kalshi (que permitem aos usuários apostar em eventos futuros, desde eleições até decisões econômicas) movimentaram US$ 29,8 bilhões em volume nocional no mês de abril. Para contextualizar, esse valor representa um crescimento de aproximadamente 588% em relação a abril de 2024, quando o volume combinado das plataformas era significativamente menor.

Mercados de previsão funcionam como uma espécie de bolsa de apostas descentralizada: usuários compram e vendem contratos digitais que pagam um valor fixo se determinado evento ocorrer (por exemplo, “o Bitcoin vai ultrapassar US$ 100 mil até dezembro?”). A promessa é que a sabedoria coletiva dos participantes gere previsões mais precisas do que analistas individuais, mas a análise do jornal americano revela que a maioria dos traders está acumulando perdas. Embora a reportagem da BeInCrypto não detalhe os percentuais exatos de perdedores nem o montante médio perdido, o padrão identificado pelo Wall Street Journal sugere que, assim como em mercados tradicionais de derivativos, poucos participantes concentram os ganhos enquanto a massa perde capital.

Para o investidor brasileiro, o paralelo é direto: mercados de previsão em cripto funcionam de forma semelhante aos mercados futuros da B3, onde a maioria dos participantes pessoa física também registra perdas ao longo do tempo. A diferença é que plataformas como Polymarket operam com criptomoedas (geralmente stablecoins, moedas digitais atreladas ao dólar) e não exigem intermediários financeiros tradicionais. Segundo conhecimento de mercado, o Brasil ainda não possui plataformas de previsão reguladas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), e participar de serviços internacionais como Polymarket pode envolver riscos regulatórios e cambiais adicionais para o usuário local.

Historicamente, mercados especulativos atraem ondas de novos participantes durante períodos de alta visibilidade (como eleições presidenciais ou eventos cripto de grande repercussão). O crescimento de quase 600% no volume em 12 meses indica que os mercados de previsão estão saindo da fase experimental e entrando no radar de um público mais amplo, mas os dados de perdas sugerem que a curva de aprendizado é cara. A título de comparação, no mercado de opções da B3, estudos indicam que cerca de 90% dos traders pessoa física perdem dinheiro ao longo de um ano, padrão que parece se repetir nos mercados de previsão cripto.

📊 Número do Dia

US$ 29,8 bilhões , Volume nocional mensal recorde movimentado por mercados de previsão em criptomoedas em abril de 2025, alta de 588% em 12 meses.

Por que isso importa

O crescimento explosivo dos mercados de previsão mostra que ferramentas descentralizadas de apostas estão ganhando escala, mas a concentração de perdas entre usuários comuns reforça um alerta: especulação em derivativos cripto, assim como em mercados tradicionais, exige conhecimento técnico e gestão de risco rigorosa. Para o investidor brasileiro, a lição é clara: plataformas internacionais de previsão oferecem acesso a novos mercados, mas sem regulação local e com alta volatilidade, o risco de perda de capital é elevado e deve ser tratado como aposta, não como investimento.


Fonte original: https://beincrypto.com/prediction-market-polymarket-kalshi-users-losing-money-wsj/

Foto de Roberta Silva

Roberta Silva

Jornalista econômica especializada em política monetária e macroeconomia brasileira. Acompanha as decisões do Banco Central, os números do IPCA e os impactos da Selic. Responsável pelas seções Economia e Política Econômica.
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