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Rede Canton bloqueia táticas de hackers norte-coreanos, diz CEO

Blockchain privada exige validação prévia de identidade e bloqueia movimentação anônima explorada pelo Lazarus Group
Rede Canton bloqueia táticas de hackers norte-coreanos com arquitetura permissionada. CEO explica como controles de acesso impedem roubos bilionários.
A rede Canton, plataforma blockchain voltada para instituições financeiras, afirma ser imune às táticas de hackers ligados à Coreia do Norte, segundo seu CEO Yuval Rooz. A declaração foi publicada pela Decrypt em 3 de maio de 2025.

A rede Canton implementa barreiras de segurança que impedem o tipo de ataque que grupos norte-coreanos usam para roubar criptomoedas, segundo Yuval Rooz, CEO da Digital Asset, empresa que desenvolveu a plataforma. Conforme reportou a Decrypt, a arquitetura da Canton permite que participantes estabeleçam “guardrails” (controles de acesso e validação) antes que transações sejam executadas, diferentemente das blockchains públicas tradicionais como Bitcoin e Ethereum.

Para contextualizar: grupos de hackers ligados à Coreia do Norte, especialmente o Lazarus Group, já roubaram bilhões de dólares em criptomoedas nos últimos anos, segundo dados públicos de empresas de segurança como Chainalysis. Esses ataques geralmente exploram vulnerabilidades em exchanges (corretoras de criptomoedas) e protocolos DeFi (finanças descentralizadas, ou bancos digitais sem intermediários), onde qualquer pessoa pode interagir com contratos inteligentes (programas que executam transações automaticamente quando certas condições são atendidas).

A Canton Network funciona de forma diferente. Trata-se de uma blockchain privada e permissionada, onde apenas participantes autorizados podem realizar transações, segundo a Decrypt. Isso significa que, ao contrário de redes públicas onde qualquer carteira digital pode enviar fundos para qualquer outra, a Canton exige validação prévia de identidade e conformidade regulatória. É como a diferença entre um clube aberto a qualquer pessoa (blockchain pública) e um clube que só aceita sócios previamente aprovados (blockchain privada).

Segundo Rooz, citado pela reportagem, essa arquitetura torna inviável o “playbook” (conjunto de táticas) usado por hackers norte-coreanos, que dependem de anonimato e da capacidade de mover fundos rapidamente entre carteiras sem identificação. Na Canton, cada participante passa por processos de KYC (verificação de identidade) e AML (prevenção à lavagem de dinheiro) antes de operar, conforme a Decrypt.

Para o investidor brasileiro, a notícia ilustra uma tendência crescente: instituições financeiras tradicionais estão adotando blockchains privadas, e não públicas, para aplicações corporativas. No Brasil, o projeto Drex (real digital do Banco Central) também utiliza uma arquitetura permissionada, onde apenas instituições autorizadas podem validar transações. Essa abordagem prioriza segurança e conformidade regulatória em detrimento da descentralização total, característica das criptomoedas tradicionais.

📊 Número do Dia

Bilhões de dólares , Valor estimado roubado por grupos de hackers norte-coreanos em ataques a plataformas cripto nos últimos anos, segundo dados de empresas de segurança blockchain.

Por que isso importa

A declaração do CEO da Canton evidencia uma divisão no mercado cripto: enquanto blockchains públicas priorizam descentralização e acesso aberto, redes privadas como Canton apostam em controles de segurança e conformidade regulatória para atrair instituições financeiras. Para o investidor brasileiro, isso significa que aplicações corporativas de blockchain (como o Drex) seguirão modelos permissionados, enquanto criptomoedas tradicionais como Bitcoin continuarão vulneráveis a ataques sofisticados. A escolha entre segurança institucional e liberdade descentralizada define o futuro da tecnologia.


Fonte original: https://decrypt.co/366086/north-korea-crypto-hack-playbook-wont-work-canton-ceo

Foto de Roberta Silva

Roberta Silva

Jornalista econômica especializada em política monetária e macroeconomia brasileira. Acompanha as decisões do Banco Central, os números do IPCA e os impactos da Selic. Responsável pelas seções Economia e Política Econômica.
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