O novo programa Desenrola permitirá que trabalhadores usem parte do saldo do FGTS — uma espécie de poupança forçada que o empregador deposita mensalmente em nome do funcionário — para quitar dívidas com descontos que podem chegar a 90%. Segundo o ministro Durigan, haverá um limite para o saque, vinculado ao pagamento das dívidas, mas sem necessariamente cobrir o valor total do débito.
O foco do programa está nas modalidades de crédito mais caras do país: cartão de crédito, crédito direto ao consumidor (CDC, aqueles empréstimos pessoais oferecidos em lojas) e cheque especial. Essas linhas cobram juros que variam entre 6% e 10% ao mês — o que significa que uma dívida de R$ 10 mil pode virar R$ 11 mil em apenas 30 dias, criando um ciclo difícil de romper para quem ganha um salário médio. A título de comparação, nos Estados Unidos, a taxa média do cartão de crédito gira em torno de 1,5% ao mês, menos de um quarto do patamar brasileiro.
O governo também vai aportar recursos no Fundo Garantidor de Operações (FGO), um mecanismo que funciona como um seguro para os bancos caso os devedores não consigam pagar mesmo após a renegociação. Durigan espera que o programa atinja dezenas de milhões de pessoas, superando os 15 milhões beneficiados na primeira versão do Desenrola, lançada em 2023, que renegociou R$ 53,2 bilhões em dívidas.
O ministro fez questão de ressaltar que o Desenrola 2.0 não será recorrente. “Não se trata de um Refis periódico”, afirmou, referindo-se aos programas de parcelamento de dívidas tributárias que o governo oferece regularmente às empresas. A medida é apresentada como excepcional, justificada pelo cenário de juros elevados — a taxa Selic (o juro básico da economia, usado pelo Banco Central para controlar a inflação) está em patamar historicamente alto — e pelos impactos de crises externas, como conflitos internacionais.
📊 Número do Dia
90% — Desconto máximo esperado nas dívidas renegociadas pelo Desenrola 2.0, segundo o ministro da Fazenda
Por que isso importa
Para o cidadão endividado, o programa representa uma chance concreta de sair do ciclo de juros altos que consome boa parte da renda mensal. Para os bancos, significa reduzir a inadimplência — quando clientes não pagam suas dívidas — que corrói a lucratividade e trava novas concessões de crédito. Para a economia como um todo, famílias com menos dívidas tendem a consumir mais, o que pode impulsionar o crescimento em um momento de desaceleração.
Fonte original: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-04/novo-desenrola-permitira-uso-do-fgts-para-renegociacao-de-dividas












