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segunda-feira, 27 de julho de 2026 Brasil

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Brasil projeta superávit fiscal de 1,3% do PIB em 2030

O Governo Federal divulgou o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027, traçando uma trajetória ambiciosa para as contas públicas: sair de um déficit primário de 0,4% do PIB em 2026 para um superávit de 1,3% do PIB em 2030.

Executivo apresentando gráficos de crescimento em flipchart com bandeira do Brasil ao fundo, projeções fiscais PIB
Apresentação de projeções econômicas mostra tendência de crescimento nas métricas fiscais brasileiras.

O Governo Federal apresentou no PLDO 2027 uma projeção fiscal que prevê a União (Governo Federal, INSS e Banco Central) transitando de um déficit primário de 0,4% do PIB em 2026 para um superávit de 1,3% do PIB em 2030. O déficit primário ocorre quando o governo gasta mais do que arrecada, sem contar os juros da dívida — é como se uma família gastasse mais do que ganha no mês, precisando usar o cartão de crédito para fechar as contas.

A trajetória proposta representa um ajuste de 1,7 ponto percentual do PIB em quatro anos. Para contextualizar a magnitude desse esforço: em uma economia de aproximadamente R$ 11 trilhões, isso significa encontrar cerca de R$ 187 bilhões em economia ou aumento de receitas até 2030. Segundo dados da Folha de S.Paulo, essa meta fiscal marca o primeiro ano do próximo governo, sinalizando compromisso de longo prazo com o equilíbrio das contas.

O desafio em perspectiva internacional

A título de comparação, países como Chile e Peru mantêm superávits primários próximos a 1% do PIB há anos, enquanto a Argentina, após décadas de desequilíbrio, tenta alcançar superávit pela primeira vez em 2024. O Brasil, que registrou déficits persistentes na última década, busca agora alinhar-se às economias emergentes mais disciplinadas fiscalmente. A diferença é que o país parte de uma dívida bruta próxima a 75% do PIB — patamar elevado para emergentes, onde a média fica abaixo de 60%.

O caminho até 2030 exigirá combinação de controle de despesas obrigatórias (como aposentadorias e salários públicos) e aumento de arrecadação. Historicamente, ajustes fiscais no Brasil esbarram na rigidez orçamentária: cerca de 90% do orçamento federal é de execução obrigatória, restando pouca margem para cortes. Isso explica por que reformas estruturais — como a tributária em curso — tornam-se essenciais para viabilizar a meta.

O que muda na prática

Para o cidadão, o ajuste fiscal bem-sucedido pode significar juros menores no médio prazo. Quando o governo reduz seu déficit, diminui a necessidade de tomar empréstimos, aliviando a pressão sobre a taxa Selic (o juro básico da economia, que influencia desde o financiamento da casa própria até o rendimento da poupança). Para empresas, contas públicas equilibradas reduzem a incerteza e podem atrair investimentos estrangeiros, barateando o crédito. Já para investidores, a trajetória fiscal influencia diretamente o risco-país e o comportamento dos títulos públicos.

📊 Número do Dia

1,7 p.p. — Ajuste fiscal projetado entre 2026 e 2030, saindo de déficit de 0,4% para superávit de 1,3% do PIB

Por que isso importa

O cumprimento dessa trajetória fiscal determinará a credibilidade do Brasil junto a investidores e agências de classificação de risco. Contas públicas equilibradas são pré-requisito para juros menores, inflação controlada e retomada sustentável do crescimento. O desafio é político: exige disciplina orçamentária em anos eleitorais e reformas impopulares. O fracasso pode resultar em rebaixamento da nota de crédito do país, fuga de capitais e pressão inflacionária — cenário que o Brasil conhece bem de crises passadas.


Fonte original: https://redir.folha.com.br/redir/online/mercado/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/braulio-borges/2026/04/como-acelerar-o-ajuste-fiscal-brasileiro.shtml