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Governo prepara R$ 2 bilhões para destravar crédito empresarial

Medida busca facilitar financiamento para pequenas e médias empresas em cenário de alta nos pedidos de recuperação judicial
Executivos em reunião de negócios assinando documentos contratuais sobre mesa de madeira, crédito empresarial
O governo Lula estuda injetar até R$ 2 bilhões no Fundo Garantidor para Investimentos (FGI) para ampliar o acesso ao crédito de empresas e estimular a renegociação de dívidas, segundo fontes próximas ao assunto.

O governo federal prepara um aporte de até R$ 2 bilhões no Fundo Garantidor para Investimentos (FGI), administrado pelo BNDES, com o objetivo de facilitar o acesso ao crédito para empresas brasileiras. A medida, segundo fontes ouvidas pelo jornal O Globo, faz parte de um pacote mais amplo para enfrentar o endividamento no país, que deve contemplar tanto empresas quanto famílias.

O FGI funciona como uma espécie de seguro para bancos: quando uma empresa não consegue pagar seu empréstimo, o fundo cobre parte do prejuízo da instituição financeira. Isso reduz o risco para os bancos e, na prática, tende a baratear o crédito — como se o governo entrasse como fiador, permitindo que os juros cobrados sejam menores. Cada real colocado no fundo permite alavancar um volume muito maior de empréstimos no mercado, multiplicando o impacto do investimento público.

Quem será beneficiado

A iniciativa deve ser operacionalizada pelo Programa Emergencial de Acesso a Crédito (Peac), criado durante a pandemia e agora reativado. O foco são micro, pequenas e médias empresas, incluindo companhias com faturamento anual de até R$ 300 milhões — justamente as que mais enfrentam dificuldades para obter financiamento em um cenário de juros elevados. Segundo O Globo, o governo também avalia flexibilizar regras: o prazo de pagamento pode passar de sete para até dez anos, e custos como taxas ao BNDES podem ser retirados em casos de renegociação.

A proposta surge em momento delicado. Dados recentes mostram avanço nos pedidos de recuperação judicial e sinais de deterioração na capacidade de pagamento das empresas brasileiras. A taxa básica de juros (Selic, que é o juro que o governo usa para controlar a inflação) está em patamar elevado, encarecendo o crédito e pressionando as finanças das companhias. A título de comparação, países como Chile e México também enfrentam desafios de crédito empresarial, mas com taxas de juros menores — o Chile opera com juro básico em torno de 5,75%, enquanto o Brasil está acima de 14%.

Além das empresas

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, confirmou na terça-feira que o governo também estuda usar o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, uma poupança obrigatória do trabalhador) como parte das medidas. A ideia é permitir que recursos do fundo sejam usados no refinanciamento de dívidas ou como garantia em operações de crédito, ajudando famílias a trocar dívidas caras — como cartão de crédito e cheque especial — por outras com juros menores e prazos mais longos. Segundo Durigan, a proposta está sendo avaliada em conjunto com o Ministério do Trabalho, que tem preocupação com a saúde financeira do FGTS.

Imagine que o FGTS funciona como uma reserva de emergência do trabalhador. Permitir seu uso para quitar dívidas pode aliviar o orçamento familiar no curto prazo, mas reduz a proteção em caso de demissão ou necessidade futura. Por isso, o governo caminha com cautela, avaliando os impactos sobre os trabalhadores antes de anunciar qualquer medida definitiva.

📊 Número do Dia

R$ 2 bilhões , Valor que o governo estuda aportar no Fundo Garantidor para Investimentos, podendo alavancar bilhões em novos empréstimos para empresas

Por que isso importa

Para empresas, especialmente as menores, a medida pode significar acesso a crédito mais barato e prazos mais longos, facilitando investimentos e renegociação de dívidas. Para o cidadão, o pacote pode incluir alternativas para trocar dívidas caras por outras mais baratas, usando o FGTS — mas com riscos de reduzir a proteção financeira em caso de demissão. Para o investidor, sinaliza preocupação do governo com a saúde do crédito e possível aumento de liquidez no mercado, o que pode afetar juros e rentabilidade de aplicações.


Fonte original: https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/04/08/governo-avalia-aporte-de-ate-r-2-bilhoes-em-fundo-para-ampliar-credito-a-empresas.ghtml

Foto de Roberta Silva

Roberta Silva

Jornalista econômica especializada em política monetária e macroeconomia brasileira. Acompanha as decisões do Banco Central, os números do IPCA e os impactos da Selic. Responsável pelas seções Economia e Política Econômica.
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