Pular para o conteúdo
segunda-feira, 27 de julho de 2026 Brasil

Economia com profundidade. Decisões com confiança.

Mercados
Carregando cotações...
DÓLAR --
BRT 

Governo prepara R$ 2 bilhões para destravar crédito empresarial

O governo Lula estuda injetar até R$ 2 bilhões no Fundo Garantidor para Investimentos (FGI) para ampliar o acesso ao crédito de empresas e estimular a renegociação de dívidas, segundo fontes próximas ao assunto.

Executivos em reunião de negócios assinando documentos contratuais sobre mesa de madeira, crédito empresarial
Assinatura de contratos empresariais simboliza desbloqueio de crédito para empresas brasileiras.

O governo federal prepara um aporte de até R$ 2 bilhões no Fundo Garantidor para Investimentos (FGI), administrado pelo BNDES, com o objetivo de facilitar o acesso ao crédito para empresas brasileiras. A medida, segundo fontes ouvidas pelo jornal O Globo, faz parte de um pacote mais amplo para enfrentar o endividamento no país, que deve contemplar tanto empresas quanto famílias.

O FGI funciona como uma espécie de seguro para bancos: quando uma empresa não consegue pagar seu empréstimo, o fundo cobre parte do prejuízo da instituição financeira. Isso reduz o risco para os bancos e, na prática, tende a baratear o crédito — como se o governo entrasse como fiador, permitindo que os juros cobrados sejam menores. Cada real colocado no fundo permite alavancar um volume muito maior de empréstimos no mercado, multiplicando o impacto do investimento público.

Quem será beneficiado

A iniciativa deve ser operacionalizada pelo Programa Emergencial de Acesso a Crédito (Peac), criado durante a pandemia e agora reativado. O foco são micro, pequenas e médias empresas, incluindo companhias com faturamento anual de até R$ 300 milhões — justamente as que mais enfrentam dificuldades para obter financiamento em um cenário de juros elevados. Segundo O Globo, o governo também avalia flexibilizar regras: o prazo de pagamento pode passar de sete para até dez anos, e custos como taxas ao BNDES podem ser retirados em casos de renegociação.

A proposta surge em momento delicado. Dados recentes mostram avanço nos pedidos de recuperação judicial e sinais de deterioração na capacidade de pagamento das empresas brasileiras. A taxa básica de juros (Selic, que é o juro que o governo usa para controlar a inflação) está em patamar elevado, encarecendo o crédito e pressionando as finanças das companhias. A título de comparação, países como Chile e México também enfrentam desafios de crédito empresarial, mas com taxas de juros menores — o Chile opera com juro básico em torno de 5,75%, enquanto o Brasil está acima de 14%.

Além das empresas

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, confirmou na terça-feira que o governo também estuda usar o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, uma poupança obrigatória do trabalhador) como parte das medidas. A ideia é permitir que recursos do fundo sejam usados no refinanciamento de dívidas ou como garantia em operações de crédito, ajudando famílias a trocar dívidas caras — como cartão de crédito e cheque especial — por outras com juros menores e prazos mais longos. Segundo Durigan, a proposta está sendo avaliada em conjunto com o Ministério do Trabalho, que tem preocupação com a saúde financeira do FGTS.

Imagine que o FGTS funciona como uma reserva de emergência do trabalhador. Permitir seu uso para quitar dívidas pode aliviar o orçamento familiar no curto prazo, mas reduz a proteção em caso de demissão ou necessidade futura. Por isso, o governo caminha com cautela, avaliando os impactos sobre os trabalhadores antes de anunciar qualquer medida definitiva.

📊 Número do Dia

R$ 2 bilhões , Valor que o governo estuda aportar no Fundo Garantidor para Investimentos, podendo alavancar bilhões em novos empréstimos para empresas

Por que isso importa

Para empresas, especialmente as menores, a medida pode significar acesso a crédito mais barato e prazos mais longos, facilitando investimentos e renegociação de dívidas. Para o cidadão, o pacote pode incluir alternativas para trocar dívidas caras por outras mais baratas, usando o FGTS — mas com riscos de reduzir a proteção financeira em caso de demissão. Para o investidor, sinaliza preocupação do governo com a saúde do crédito e possível aumento de liquidez no mercado, o que pode afetar juros e rentabilidade de aplicações.


Fonte original: https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/04/08/governo-avalia-aporte-de-ate-r-2-bilhoes-em-fundo-para-ampliar-credito-a-empresas.ghtml