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Estados aderem a subsídio federal para diesel importado

Acordo prevê desconto de R$ 1,20 por litro até maio, com custo mensal de R$ 1,5 bilhão rateado entre União e governos
Motorista de caminhão abastecendo veículo em posto de combustível com preços de diesel e gasolina visíveis no painel digital
Três estados anunciaram adesão à proposta do governo federal de subsidiar o diesel importado. Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso aceitaram dividir os custos com a União, que estima impacto fiscal de R$ 1,5 bilhão por mês.

O governo federal avança na construção de um acordo com os estados para subsidiar o diesel importado, em resposta à alta do petróleo provocada pela guerra no Oriente Médio. Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso anunciaram adesão à proposta nesta terça-feira (31), somando-se a São Paulo, Sergipe, Rio Grande do Sul e outros estados já alinhados. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou em reunião ministerial que a “unanimidade dos estados está muito próxima”.

A proposta prevê um subsídio de R$ 1,20 por litro de diesel, dividido igualmente entre União e estados. O custo estimado é de R$ 1,5 bilhão por mês — valor que será rateado entre governo federal e governos estaduais. Para entender a dimensão: é como se cada estado contribuísse com uma parcela proporcional ao seu consumo de diesel para segurar o preço nas bombas. A medida deve valer até o fim de maio, segundo o governo do Mato Grosso, que estima desembolsar cerca de R$ 100 milhões no período.

A iniciativa difere da política adotada pelo governo anterior, que reduziu o ICMS (imposto estadual sobre combustíveis) sem negociar com os governadores. Desta vez, a Fazenda construiu o acordo estado por estado. O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), condicionou sua adesão à garantia de que o desconto chegue ao consumidor final, e não apenas aumente os lucros da Petrobras. “Não vou tirar mais dinheiro do catarinense para enriquecer a Petrobras”, afirmou em vídeo.

Comparação internacional

Subsídios a combustíveis são comuns em momentos de crise. A título de comparação, países como França e Alemanha adotaram medidas semelhantes durante o choque de preços de 2022, com descontos diretos na bomba ou redução temporária de impostos. A diferença é que, na Europa, os subsídios foram integralmente bancados pelos governos centrais, sem divisão com entes subnacionais — o que reflete a estrutura federativa mais centralizada daqueles países.

Resistências e indefinições

Nem todos os estados devem aderir. O Distrito Federal, sob a governadora Celina Leão, sinalizou que ficará de fora. O Rio de Janeiro, governado interinamente pelo presidente do Tribunal de Justiça estadual, também não deve responder ao chamado. Segundo o secretário-executivo da Fazenda, Rogério Ceron, a proposta segue mesmo sem unanimidade, mas estados que não aderirem terão “desincentivo para importar” diesel — o que pode resultar em preços mais altos localmente.

📊 Número do Dia

R$ 1,5 bilhão , Impacto fiscal mensal estimado do subsídio ao diesel importado, dividido entre União e estados

Por que isso importa

Para o cidadão, a medida pode conter a alta do diesel nas bombas, evitando repasses ao preço do transporte público e de alimentos. Para empresas de logística e agronegócio, o subsídio alivia custos em plena safra. Para investidores, sinaliza disposição do governo em usar recursos fiscais para controlar inflação de curto prazo, mas adiciona pressão sobre as contas públicas em ano eleitoral.


Fonte original: https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/03/31/parana-santa-catarina-e-mato-grosso-anunciam-adesao-a-subvencao-do-diesel.ghtml

Foto de Roberta Silva

Roberta Silva

Jornalista econômica especializada em política monetária e macroeconomia brasileira. Acompanha as decisões do Banco Central, os números do IPCA e os impactos da Selic. Responsável pelas seções Economia e Política Econômica.
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